Teve início nesta quinta-feira, 14, e segue até esta sexta-feira, 15, no auditório da ABO-MS, o 1º Seminário Estadual de Enfrentamento da Sífilis em Mato Grosso do Sul, realizado pela SES (Secretaria de Estado de Saúde), com apoio da Secretaria de Saúde de Campo Grande.

A proposta do encontro é redirecionar a linha de cuidado dos pacientes com sífilis na rede de Atenção Básica, além de discutir o papel da Vigilância Epidemiológica. Segundo o Ministério da Saúde, o país enfrenta uma epidemia da doença e o número de casos em Mato Grosso do Sul quase dobrou em dois anos, com aumento de 68,6 %.

O presidente da ABO-MS, Carlos Magno de Oliveira Rodrigues, participou da solenidade de abertura. “A nossa classe odontológica sempre busca dar sua contribuição a todas as questões relacionadas à saúde. Este é um assunto importante, que mais uma vez estamos apoiando”, declara o presidente da ABO-MS.

Em 2016, foram notificados 1.408 casos de sífilis adquirida. Já nesse ano, até 30 de novembro, o número subiu para 2.374 casos. A epidemia se deve principalmente à mudança de comportamento da população, como o não uso do preservativo, conforme avaliação da gerente do Programa Estadual IST/AIDS da SES, Danielle Martins.

Fatores determinantes deram expansão à doença e a epidemia chegou a Mato Grosso do Sul, como mostra o vertiginoso aumento no número de casos (2.374 em 2017 contra 1.408 no ano passado) e ainda conforme a taxa atual de incidência da doença, já que a cada 100 mil habitantes 89,54% possuem sífilis. Há 10 anos, em 2007, a taxa de incidência não chegava nem a 7%  a cada 100 mil pessoas, e foram notificados 149 casos de sífilis.

Segundo Danielle, a faixa etária mais acometida pela sífilis vai de 21 a 35 anos de idade, em uma população economicamente e sexualmente ativa. A doença pode matar, mas se diagnosticada precocemente, tem cura e o tratamento é gratuito. Além de ser diagnosticada pelos sintomas, a sífilis pode ser descoberta por meio de um exame de sangue comum.

Seminário

Cerca de 150 profissionais de saúde, entre enfermeiros, médicos infectologistas, coordenadores da Atenção Básica e profissionais que oferecem serviço especializado participarão do seminário.

Para o primeiro dia de seminário estão temas como “Conhecendo a Sífilis”, “Cenário Epidemiológico da Sífilis no Brasil e em Mato Grosso do Sul”, “Integração da Atenção Básica à Vigilância em Saúde” e “A importância da Notificação de Casos”. Já no segundo dia, os debates serão em torno do “Tratamento da Sífilis Congênita na Atenção Básica”, “Pré-natal do Parceiro como Estratégia de Prevenção e Controle da Epidemia da Sífilis”, entre outros temas.

 Sífilis

Mato Grosso do Sul apresenta pela quarta vez consecutiva o maior índice de infestação da sífilis em gestante, de acordo com dados da SES.  Em 2016, foram notificados 1.185 casos de sífilis em gestante. Já nesse ano, até 30 de novembro, são 1.336 notificações.

Segundo Danielle, a sífilis em gestante, se não tratada, pode se transformar em sífilis congênita, que acomete os fetos. Isso ocorre quando o tratamento realizado na paciente gestante ou no indivíduo (parceiro) com sífilis adquirida não apresentou resultados satisfatórios ou não foi feito corretamente. “A sífilis congênita é quando acontece a transmissão vertical, de mãe para filho”.

A doença pode trazer diversas más formações e deformidades aos bebês como surdez neurológica, cegueira, microcefalia, deformidade crânio facial, leões neurológicas, artrose, lesão cardíaca, entre outras, sendo todas irreversíveis.

“Quando a gestante é diagnosticada, o parceiro, além de também receber tratamento, passa a ser notificado. Por isso, os homens lideram as notificações com 59% de índice”.

Além da congênita, a sífilis se caracteriza de outras duas formas: sífilis adquirida, quando acomete qualquer pessoa, e a sífilis em gestante. O tratamento correto é fundamental para que a doença não evolua e exista a possibilidade de cura em qualquer das manifestações.  Se não tratada, a sífilis pode matar.

A sífilis pode se manifestar em três fases distintas:  primária, secundária e terciária.

A fase primária é o estágio inicial da doença, que surge cerca de 3 semanas após o contágio. Essa fase é caracterizada pelo aparecimento do cancro duro, pequenas lesões avermelhadas nos órgãos genitais que acabam desaparecendo após 4 ou 5 semanas, sem deixar cicatrizes.

Na fase secundária os sintomas surgem cerca de 6 a 8 semanas depois do desaparecimento das lesões causadas pela sífilis primária. Nessa nova fase, as lesões aparecem espalhadas na pele e nos órgãos internos do corpo. Entre os sintomas estão  manchas vermelhas na pele, na boca, no nariz, nas palmas das mãos e nas plantas dos pés, descamação da pele, ínguas, principalmente na região genital, dor de cabeça, dor muscular, dor de garganta, mal estar, febre leve, falta de apetite e perda de peso.

Essa fase continua durante os dois primeiros anos da doença, e surge em forma de surtos que regridem espontaneamente, mas que passam a ser cada vez mais duradouros.

A sífilis terciária aparece em pessoas que não conseguiram combater espontaneamente a doença na sua fase secundária ou que não fizeram o tratamento adequado. Neste estágio, a sífilis é caracterizada por Lesões maiores na pele, boca e nariz, problemas em órgãos internos: coração, nervos, ossos, músculos, fígado e vasos sanguíneos, dor de cabeça constante, náuseas e vômitos frequentes, rigidez do pescoço, com dificuldade para movimentar a cabeça, convulsões, perda auditiva, entre outros.

Esse sintomas costumam surgir depois de 10 a 30 anos da infecção inicial, e quando o indivíduo não é tratado. Por isso, para evitar complicações em outros órgãos do corpo, deve-se fazer o tratamento logo após o surgimento dos primeiros sintomas da sífilis.

O Seminário será realizado no auditório da ABO/MS que fica na Rua da Liberdade, 836 , Jardim Monte Líbano.

Com informações de Luciana Brazil- Assessoria de imprensa da SES.